24.5.06

Mood: (Silêncio)


Fotos: Eliza Douglas
Tenho-me achado surda aos diálogos que se agitam fora de mim.
Cá por dentro também não há paz, mas há pausas para não falar.
E há silêncios mais vivos que a voz,
Quando os olhares sorriem muito alto, por exemplo.


16.5.06

Mood: Azure Ray- Don't make a sound




Fotos: Sophie Thouvenin


Aparentemente só o tempo esbate a consistência da memória, aquela que habita senão nos afectos.


" How am I supposed to heal? ... if I can´t feel time."



Memento (2000) de Christopher Nolan

15.5.06

Mood: Nina Simone- Sinnerman (verve remixed)







Há os filmes Americanos de sábado à tarde. E depois há a vida...

Imagem: Sophie Thouvenin

...Ouvem-se sobrepostos os ruídos de mil vazios em registos diferentes, em frequências distintas, multiplicados por tantos outros...como uma vizinhança urbana em que a vida privada irrompe além paredes e grita ensurdecedora e desconexa. Esse ruído duro, abafo-o, abafa a minha surdez a um mundo onde os toques são distantes e as vidas nunca são ligeiras. Acho que sempre fui surda às olheiras da vida. Hoje pensei nisso de novo. E o sono não veio.

(…)
Às vezes dou conta que estou despenteada, e os caracóis vão desalinhando com a mesma cadência com que penso nas olheiras da vida. Não me importo. Nos filmes americanos não há mulheres mesmo despentadas nem realmente ‘descalças’ sobre livros que precisam de compreender, de mãos realmente nuas e abertas a homens que não conseguem ‘ler’. Passaram-se horas. Continuo de pés destapados em chão frio.

(…)
Nunca soube o que é que me assustava....mas assusta-me o cansaço. Assusta-me não deitar os lábios noutra boca por medo de noites mal dormidas e olheiras que a vida me possa dar. Assusta o medo do cansaço e o cansaço de ter medo. Nada na vida é um filme americano. A maior parte das vezes não conseguimos mesmo, antecipar o final. Aquele que imprime nos olhos o aspecto sombrio da dúvida essencial: o final, sim...mas o nosso. Pior: o percurso até lá. Continuo com insónias. Continuo a pensar demais…Algures deve haver uma garrafa. O suficiente para um copo. O suficiente para a luxúria inebriar suavemente o sangue, o cérebro, excitar as vísceras e diluir os medos. Algures deve haver... o suficiente... para dormir .

10.5.06

Mood: LCD soundsystem- Daft Punk is playing at my...

Quando queimando olhares alheios, deitou sem luta o corpo neles

e entre o movimento das coxas puxou desejos que não lhe pertencem,

mas apenas ao corpo largado na música

e à luz iluminando nada mais senão textura.

Quando se deitou no desejo alheio,

onde ficou o egoismo?...

o de guardar a carne para quem também a queira só para si.

Foto: João Figueiredo. SIL 2005. in http://www.1000imagens.com


1.5.06

Mood: Kings of convenience- winning a battle, losing the war

Foto: João da Costa Pereira
Deveria ser fácil, soprar-te da minha pele...