27.7.05

















A percepção do mundo não será [tanta vez]... uma questão de atitude...?



Fotos: Craig Blacklog

21.7.05

Não...



Das maiores crueldades que a cultura imprime na psicologia feminina: o poder da palavra 'não'.

O poder da inacessibilidade e os benefícios de uma possível dignidade no papel social que daí advêm perdem perante o poder da troca, quando chega o momento em que faz sentido dizer 'sim' e sai um 'não'. E aí, que me perdoem as da minha "espécie", mas os homens tem razão quando falam na incoerência femina entre o sentir e o dito manifesto.
A castração do sentir é assim tão mais digna? A coerência última não será com os próprios afectos?

Importa também sublinhar que na nossa cultura começa tudo com o próprio progenitor do sexo masculino e suas advertências sobre "aquilo que os homens vão querer da minha menina é...". Vindo de quem vem, é óbvio que isso deixa as suas desconfianças (não sei, digo eu!). Eles são os primeiros a avisar para os efeitos nefastos da expressão descomplexada dos afectos, sejam eles de amor ou de instinto. De facto, a cultura "do medo dos homens" não contribui em nada para a aquisição de uma maturidade sexual e de uma autonomia consciente do corpo sexualizado. Não ensina a ganhar o estofo interno para saber diferenciar quando aceitar e quando negar e, como tal, não defende dos perigos reais. É contraproducente. Até porque nem o homem é tão perigoso e vil assim nem a mulher tão vulnerável e indefesa. E se isso está mais que provado em tantos campos, porque não neste também? E nem me aventuro até à controvérsia dos direitos iguais, porque nem será preciso.


E algures no meio disto, chega-se a um paradoxo psicológico absoluto...que é transformar um mecanismo de negação da vontade real num trunfo poderosíssimo. A mulher tem de facto um poder imenso através da sexualidade. E isso é aprendido deste tenra idade, nas mais pequenas lições. E também por isso Ela tem vindo a converter essa crueldade, tornando-se ela própria cruel e tão agressiva quanto classicamente se imputava à testosterona...porque agora...pode!
O papel feminino está a mudar drasticamente...e de forma preocupante. Confunde-se 'poder' com 'ser' mulher. Até porque poder...podemos todos.

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18.7.05

Mood: Zero 7, somersault

Foto:Allan Babbitt



Soltas a branda voz de quem
já conteve o próprio desassossego,
pôs os limites ao medo,
de quem já cicatrizou tantas dores
E qualquer coisa em ti sobrevoa,
sobrevive
à pequenez do comum dos homens.
És tão maior...
e nem desconfias.
E gostar-te tanto, é ver-te assim
...imenso
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15.7.05

Mood: Zero 7, Destiny



A esses porreiros que são...os amigos!




...Porque, tantas vezes, olhar-vos...é tudo isto.

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11.7.05

Mood:Damien Rice, Delicate


Foto: Alexander Paulin




Pertencer-te assim...

em jeito de seres água.

E eu pele, e mundo e amor

mergulhar-te

...e o som que isso tem.

Desaguar a serenidade

na suave frescura de ti.

Elevares-te a partir dos poros,

do brilho que me salgas nos contornos.

A lenta dança submersa de cabelos negros

como que afagados plos teus dedos

Pertencer-te assim...

em jeito de seres água

em jeito de me deitar, de amor, em ti.
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7.7.05

Mood: Josh Rouse, rise


Foto: Zoe Wiseman


...E o cansaço da luta contra a simbiose
anuncia o seu fim
quando a areia se tornou fria demais para ficar
e o mar ainda denso demais para transpôr...

É o princípio de todos os começos...
É o início do fim do desgaste...

Mas no impasse da espera vai-se queimando a pele,
plo ar inóspito que não espera por decisão alguma.

Quando a noite cair...caiu.
E há onde estar nas próximas madrugadas.
Por isso que se arraste desde já...
Mas gozando cada pedacinho que imprime na areia.

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5.7.05


Arregaço o desejo firme às malhas do tempo
E na cadência dos minutos em que te aproveitei, distraído,
colhi teu cheiro na textura densa dos lábios.
E só por isso tenho-te para sempre
no meu abraço ...na minha boca
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