18.4.09

Mood: Joana Melo, Rifoneiro

ai se eu tivesse a coragem
[ai se eu tivesse a coragem]
de fazer a viragem
sem amuletos da sorte.

Que às vezes não mudar
é uma espécie de morte.
Ai se eu tivesse a coragem
de m' implicar num povo
Os muros caíam, e esta rua era algo novo

Larga a acidez
que deitas no que lês.
Se um voto não muda nada
Que se mude mais dois ou três.
é preciso é coordenada.

Há quem não valha nada
Há quem valha muito
Há quem valha todo um mundo
É preciso é coragem
pra ir sem medo a fundo.

Haja coragem gente boa
pra fazer o que destoa
pra irritar uns quantos
amar à louca, infantilmente.

Há que atracar com coragem
uma vez por todas, finalmente.

15.4.09

A

que
da.


Esse rapaz
não é meu não m' engana
Não chama, vem-me buscar

Se me sirvo crua,
tão cortês,
larga tudo e ao invés...

Me entrega o cansaço
à porta de um abraço, qual recado
Cai menino desarmado

Despista na curva
que é seio e cintura.
E jura. A queda por mim.

O meu rapaz
se procurou
num deslize assim

E.
Se alegrava, alongava
moribundo no ventre

Um homem renasce sempre.
quando sai diferente
de uma mulher

quando perde a fúria
como quem já não a quer.
tamboreava o peito, embalou

Tão doce m' foi entrando,
o mundo doeu baixinho.
e na curva sossegou.

Há um rapaz.
tantas e boas vezes
daquela queda me matou.