26.4.05

Hoje ocorreu-me que...

Quando se ensina a uma criança que não há nada que ela não possa fazer, que lhe é possível alcançar tudo o que existe de bom...está-se a criar um adulto capaz para mudar o mundo, para o transcender...

Hoje olhava para o M. com os seus dois aninhos enquanto ele lia (à sua maneira) a Visão...e esta ideia não me saía de cabeça.

As crianças tem mesmo que crescer imbuídas na crença que têm tudo à sua espera, e ser incentivadas na sua competência inata para poder transformar aquilo que vão encontrar...O poder criador da paternidade não se esgota na fusão dos gâmetas, muito pelo contrário, só se consolida verdadeiramente na criação/acompanhamento de um ser em direcção à sua crescente autonomia, no processo de individuação conducente àquilo que eu entendo como O sentido da vida: a possibilidade de cada um de nós fazer efectivamente a diferença.

20.4.05

De pequenino se torce o pepino...

As dores do crescimento estarão provavelmente entre a lista das dores mais chatinhas...E a certificá-lo temos as dores de ossos e as dores de alma que lhe são características.

Crescer é doloroso...muito... mas é como um percurso violento e simultaneamente fascinante em que, lá no fundinho, todos sabemos que do outro lado do arco-íris há um pote de ouro, que evoca aromas de autonomia e liberdade. Nunca o vimos, ninguém nos sabe dizer como ele é de facto, e só existe a ideia mítica de que é diferente para todos. Mas sabemos que está lá...algo precioso, à nossa espera...e inteiramente nosso...pela primeira vez na vida.

15.4.05

Bom fim de semana

Estou de saída...mala feita e aqui vou eu para o meu paraíso privado. Um cantinho perdido no meio de Portugal onde vivi alguns dos meus melhores momentos, rodeada dessas pessoas que preenchem a minha vida e a que a tornam sempre mais divertida, sempre mais apetecível de viver, que me tornam sempre um pouco melhor...os amigos.

Não há televisão...só música e uma casa frente ao Rio. E é tudo aquilo que precisamos de cada vez que vamos para lá e nos prestamos a ficar até às 6 da manhã em frente à lareira a discutir as nossas preocupações ou as descobertas que vamos fazendo uns com os outros. (A última foi este verão quando percebemos que aquela ideia de que os homens aguentam melhor o bagaço que as mulheres caiu por terra; e que arroz doce nunca se faz com canela em pó a não ser que se queira produzir cimento). Há mulheres com uma fibra admirável, e eu posso orgulhar-me de que as minhas amigas são todas mulheres com H grande. E não falo de copos... mas à vossa!!

Os homens, esses são os nossos meninos...apesar de não caberem ao nosso colo, quer pela altura quer pelo peso (Deus nos acuda!) mas são os melhores amigos que a vida pode dar a alguém. (blharkk...isto tá a ficar tão lamechas mas enfim)Um pouco compinchas, um pouco manos mais velhos, um pouco nossos paizinhos...à vossa!! E apesar de ainda não teres lá ido connosco isto também se aplica a ti evidentemente Sandro (http://insoniaseafins.blogspot.com) por isso à tua querido amigo!!

Este fim de semana somos pouquinhos mas vai ser bom como sempre. Vai ser excelente.
E ainda que um pedacinho de mim fique por Lisboa alegra-me pensar que à chegada vou trazer muito mais para contar...

Um óptimo fim de semana a todos os que por aqui passam, habitués ou não.

Desde já me desculpem por não ser tão assídua em comentários no vossos blogs mas a tese tem-me tomado muito tempo. Espero em breve poder visitar-vos tanto quanto gosto.

Um beijo enorme

mood para o fim de semana: Um que vos saiba bem. Eu vou ficar com estas. Não sei bem porquê mas não me saem do ouvido

Lenny Kravitz: Butterfly (acoustic)
Dave matthews: the space between (acoustic)

9.4.05

Mood: Perry Blake, Ordinary day

Porque hoje.


...se ao levantar os olhos

te encontrasse do outro lado das minhas mãos

dedicava a minha manhã a acordar-te lenta e docemente

para mais um dia da tua vida

na minha...
Posted by Hello


8.4.05

Mood: Perry Blake, war in france



Que fazer agora com as lágrimas molhadas?
não cabem em caixas, são demasiadas
Não há como rasgar ou deixá-las.
Como arrumar pedaços de água dorida
Não há perdidos & achados pra água sofrida...

Que fazer agora com o peso que ficou na mão
que me empurra contra o chão
como é que o carrego para além do hoje...
Como é que elevo a voz perturbada?
Quando deixarei de me render cansada?

Que faço eu agora com a dor
se não tenho onde a pôr...?

Onde se deposita o inconsciente que passou a gritar mais alto?
Posted by Hello

6.4.05

Mood: Stan Getz, Samba Triste

Não sei quando começou.
mas agarrei essa fantasia
que haveria dia
em que acabava a tal dor
que chorava baixinho p'ra não incomodar
ou a fúria não rebentar
Para não acordar ninguém
libertava em gotas soltas,
doseadas a conta-gotas
amortecendo em almofada
a frustração
E por isso aos poucos
me agarrava ao chão
para não me perder
na falta de solidez
na vertigem do vazio
numa espécie chão
sem tecto sempre frio

E a fantasia que no dia X
acabava a angústia
e me levava por aí a ser feliz
Hoje eu saio à rua
piso o chão de pé inteiro
não aceito nada ao meio

balanço a provocação
ao samba da vida
carrego o mundo no seio
ninguém me leva a mim de passeio
que a felicidade hoje é este coração