13.4.07

Mood: Buena Vista Social Club


Ela fica triste, nos intervalos do resto. Quando ri, há borboletas a bater apressadamente no peito e nas gargantas de toda a gente, e dói a barriga que termina nas costas e nos ombros.
Quando ela chora, os seus olhos gordos vidram sob o fogo em dois grandes aquários redondos, vertendo perfeitos pontos de caramelo, caindo a pique tão gordos em queda livre das suas bochechas. O que isso me diz dela não sei. Tenho pena que não se aperceba que aquela melancolia verte senão caramelo.

10.4.07

Mood: Maria João e Mário Laginha, Beatriz


Não me sabia proteger. Quando assim era, as mãos pareciam aves feridas, mortas a tiro. Sem peso de matéria. Sem Dor. Um certo prazer na leveza. E esvaíam-se por entre silêncios, até chegar ao aperto de cativeiro que sempre escondi no intervalo cruzado dos joelhos. Dói menos, o pausar maior do espaço entre o inspirar e expirar. Doía sempre menos, quando me esforçava. Porque há um coração que desacelera e a memória também. Era um jeito mel de estar entregue às coisas duras. Inspirava e expirava. Inspirava. Expirava.
Nem sempre estar pesarosa é pesado. No meu caso justamente, que nunca tivera talento para encarnar o papel de gente feito bicho estraçalhado a desistir-te, estar triste era recordar os passos pelos quais o ar entra e sai do corpo. E aceitar que por vezes as mãos nos morrem sossegadas.