27.9.06

Mood: no sound

Há discursos de palavras feitos, que num dado momento acompanharam o ritmo cardíaco. E às vezes isso rima.


Sim. Sei de nós, o costume da humidade. Ternuras, fumo lento. Aromas da cidade. O olhar macio. O Veludo atento. O calor e o frio. Banquetes de coisas simples. Mesa posta, tua voz. E calar para ti o mundo. Bastar esse teu, de um agredir tão fundo. Tu inteiro contra o peito. Minha imensa falta de jeito para lamber o sal de outra mão. Beber da areia o encosto. A garganta. O grão do gosto. Sim, sei de nós esta vida meio torta. Da calçada acidentada que tropeça à minha porta. Grita. Não grites. Faz ferida. Já te ouvi. Falas de saliva e mel... Se do mundo sei apenas o teu hálito quente, e palavras sem papel…. Fiel de insónia e colchão. Escapar morna a essa mão. Sou de anedota e contradição. A eterna treta que cultura de amor é cultura careta. Teu jeito elegante de bicho inquieto. O charme inconveniente do afecto. A chatice do que sabe bem, roer a mim como a ninguém. Perdoa então meu chato defeito de fugir sempre a preceito de finais felizes banais. Mas. Ser-se humano exige mais. E sim. Já sei. Princípios e fins. Mas. Esse olhar macio... E ao primeiro arrepio calei para ti o mundo. Bastar esse olhar atento, atentar tão fundo. E a cada segundo, nada mais a saber de nós que: a meia-luz da tua voz, e alguém escutando como eu.