28.1.05

"Ombro a ombro tanta vez mas tão longe
Indiferença entre nós quem diria
Custa a crer que tanto amor, tão profundo amor
tenha acabado
E nós ambos sem amor lado a lado
(...)
Fomos no passado um só destino
Somos um amor desencontrado"


Donna Maria, Lado a lado
música: Nobrega e Sousa
Letra: Jerónimo Bragança

22.1.05

O Miguel já aprendeu mais 2 letras... e como isso me encheu de orgulho, como fiquei feliz por ele. São mais dois grandes passinhos que ele dá na sua vida.O Miguel é o menino com quem faço babysitting e que mudou a minha vida nos últimos quatro meses.
A criança que, no alto dos seus (quase) dois anos, é já o maior fã de Caetano Veloso. Quantas horas temos passado em frente àquela aparelhagem onde ele me deu a conhecer o album "Fina Estampa ao vivo". O quanto ele vibra e dança. O quanto me surpreendeu ao ver que ele sabia pôr os cds a tocar e que mudava as faixas para a frente ou para trás consoante o que mais lhe agradava. As descobertas que ele me permitiu fazer em conjunto com ele!
O Miguel surgiu na minha vida numa altura muito conturbada. Não sei se algum dia ele virá a saber o quanto a sua sabedoria de criança me ajudou a superar os meus próprios dilemas. Mas assim foi. Assim tem sido sempre que vou para "tomar conta dele". Com ele eu permito-me ser igualmente criança. E ele gosta...muito. Naquelas horas em que brincamos somos os melhores amigos. (Sou também, claro, a figura protectora que cuida). Sei tudo o que preciso saber para gostar dele incondicionalmente: é apaixonado por música, tem um fascínio por autocarros, detesta ser penteado, adora cenoura cozida e é a criança mais alegre que conheço.
E por isso puxa-me para dançar, e agarra com toda a sua mãozinha no meu dedo indicador para apontarmos os dois em conjunto uma nova descoberta. Costumo sentar-me no chão com as pernas "à chinesa" enquanto danço e marco o ritmo das ‘Bossinhas’ que tocam; e ele ao meu lado acompanha, rindo, batendo palmas e marcando o ritmo dele tal como eu faço. Gosta de puxar pela minha mão e pô-la na coluna sentindo a vibração da música e depois ri-se e diz "tá-tá" (já está) e depois leva-me a mão até à outra que está avariada, encolhe os ombros e levanta os bracinhos e as mãos "- em-pa-pou!!"- empanou quer ele dizer, ou seja, avariou!
Criei com ele aquilo que acabou por ser um ritual. "Vou calçar as pantufas Miguelinho, já venho" (ponho as mãos em concha à volta das suas bochechas e dou-lhe um beijinho) . Ele veio atrás sem eu dar conta. Olho e está à porta...com a sua chucha e mãos atrás das costas, com um ar muito adulto de quem espera uma coisa muito importante. A hora de brincar é uma coisa muito séria. Percebo a sua ansiedade.
"São as pantufas mágicas da Joana Miguel, calço-as sempre antes de irmos brincar". Sorriu e começou a olhá-las de maneira diferente. Há qualquer coisa de mágico com estas pantufas e que tem a ver com o início das nossas brincadeiras. Calçar as pantufas mágicas é sair do papel mais "distante" do adulto e entrar no mundo mágico da brincadeira com ele. É ser criança com ele. E ele percebeu isso perfeitamente. E sempre que as calço ele lá está à porta a rir-se para mim. Ansioso por brincar.
Também é verdade que foi uma solução que arranjei para não riscar o chão à mãe. Mas acima de tudo foi para criar um espaço de fantasia naqueles bocadinhos em que brinco com o meu pequeno amigo.
Quando o acordo ficamos sempre um pouco à janela e também nesse momento ele me mostra o que vê. Ri-se, ri-se muito. Com o autocarro que passa, com os pássaros que vê e que ele logo aponta- deixando uma dedada brutal na janela- e diz te-té (que é pássaro em ‘miguelês’). Lembro-me há pouco tempo de se rir muito. Ria, ria em grandes gargalhadas. Perguntei-lhe o que via. "áua"- respondeu. Água. Qualquer coisa tinha rebentado na rua e havia um repuxo de água que fazia um efeito bonito. O ‘maravilhamento’ das crianças! Como eu gostei (ainda mais) dele a partir desse dia.
O Miguel é uma criança muito especial, será sempre para mim. Gostava muito de ter o privilégio de o ver crescer.

Guardo em mim o momento em que, após inúmeras tentativas para o deitar (quarto à escuras; a caixinha de música a tocar pela enésima vez)...e... pela primeira vez ele deitou a cabeça sobre mim...aconchegou-se ao meu pescoço e deixou-se dormir no meu colo. A música da caixinha tinha acabado, só se ouvia alto o bater do meu coração e uma música suave que eu lhe cantava bem baixinho para o embalar. Foi o momento da minha vida.
Tudo o que havia dentro de mim derreteu. Não sei explicar... mas dificilmente haverá experiência mais bonita do que sentir amor verdadeiro por uma criança.
Imagino ser mãe...que vontade.


P.S: 4 meses antes de eu imaginar sequer quer iria tomar conta de uma criança alguém leu o meu mapa astral e disse que ia entrar na minha vida um menino. Retirem disto o que entenderem.

21.1.05

Da temática dos sapatos ou a problemática do pé-descalço. A pertinência da massificação da alcatifa nos anos 80.

Não gosto de saltos. Cada vez gosto menos. Gostos dos sapatos baixinhos. Quer dizer, vendo bem, na impossibilidade de ser diferente, eu não gosto mesmo é de sapatos. São uma prisão, porra!
Desgraçados dos pés, carregam connosco todo o dia...ali apertados uns contra os outros. Já imaginaram? (" epá ó mindinho, já ias à tesoura ó meu animal, estás há duas horas a arranhar-me as costas") Imaginem as proporções que isto toma na população portuguesa. Terrível!
No final, depois da tortura de um sapato apertado vinte-e-quatro-horas, chegamos a casa e quando o pobre pé se vê folgado dizemos-lhe assim...Tsss Tssss...calçar as pantufas!!!
Não há direito xiça...Qual vida de cão, diga-se antes vida de pé. Esse sim é o verdadeiro desgraçado, digno da piedade humana. Digam-me lá...alguém faz massagens ao pé? Não. Alguém o mergulha em sais de banho ou lhe faz uma exfoliação de vez em quando?...NÃO! ...só os senhorzinhos metrosexuais...e eu,... que sou gaja logo não conto para a média porque afinal, isso são "paneleirices" típicas de fêmea.
Caramba, deêm mimos aos vossos pés. Deixem-nos respirar. Construam com eles uma relação de confiança que vá para além do' oi tudo bem' entre as sandálias de um verão para o outro. Façam yôga, por Deus. Agora até está na moda. Deixem o pé dar-vos o que de melhor ele tem para oferecer: a estabilidade.
Desculpem lá trazer este tema para um blog de veia lamechas...mas a realidade é que não há coisa mais sensível que o meu pézinho.
E eles gostam mesmo é de andar descalços. Têm vontade própria.
E eu...eu gosto de sentir que pertenço
que sou no mundo...pé descalço
(que para mal dos meus pecados sou mesmo)

No meu mundo, no meu quarto
as únicas pantufas que palmilham o chão
são as patinhas do meu gato...tão fofinho!


...



BOLAS SIMBA, voltaste a c##*** no chão!!!!


...




(estupor do gato!)




- Ó MÃAAAAAAAAAE .......................as pantufas??




18.1.05

Esperas intermináveis de princesas adormecidas por príncipes encantados

O meu olhar tem olheiras imensas
e devo ter mais dioptrias de tanto esforço pra te identificar...

Doem-me as entranhas

O eco faz-me ricochete nas paredes da alma
dói-me o vazio...

Pesam-me os ombros...as costas cansadas
de sustentar o peso das minhas esperas
Doem-me as pernas de me aguentar sobre elas
Sem ti...

Como é que assim do nada
fico de pele arrepiada
Febril e tão cansada
dessa tua ausência em mim?

Alguém me chame um médico, por favor

...daqueles... 24 horas.

Acho que estou doente.

(raio de vida!)

15.1.05

Deixaste um pedacinho de Ti

mood: feather theme (piano), Forrest Gump Soundtrack


Deixaste um pedacinho de ti
dentro do meu afecto
E agora? O que faço contigo?
Se foi esquecimento...Devo ligar a avisar?
Ou guardo-o comigo...na esperança que possas voltar?

Posso fingir que não foi nada...Isso.
não seria um roubo verdadeiro
e assim tinha-te mais um pouco...mesmo que não por inteiro
mas e se desses pela falta...? Virias reclamá-lo, levá-lo de volta?
e depois que seria de mim...sem nada mais teu, nem o pouco de 'nosso'

Não vês que não aguento, que não posso?
Se não te importares guardo-o só mais um bocadinho
só mais alguns noites, alguns dias
dou-lhe mimo, carinho, não o deixo sozinho
aqueço-o no embalo dos meus sonhos
aconchego-o com calor dos meus olhos

Se precisares mesmo dele então procura-me que eu devolvo
mas dá-me só mais umas noites, só mais uns dias
para te sonhar, para te viver de novo

Se tiver mesmo de ser... eu dou
mas de tanto te viver em mim
quando te chegar já foi um pedacinho meu junto...

Será que me guardas também um pouco?
ou ligas a avisar do que me esqueci?.
...
terei de dizer que foi de propósito que o perdi?