19.2.08

Mood: Sérgio Godinho, Espalhem a notícia

Teus olhos lápis de cor amor
São
pontas de lança
gatos rasteiros
atrevimento de criança.


Tudo o que houver no mundo
tudo o que é
veludo
me veste, de pele em ti.


Podemos o mundo
Este verbo transitivo
cresce quente, age profundo.

Só peço demais por
te achar tão-só contigo
[meu amor me cabia no bolso
Tinha de o trazer comigo]

Bem sei, não sou melhor
ou o que convém
mas quando crua
sou metade tua,
sobro inteira, me acrescento mulher.


Diz que nasceste de mim
que sempre foi assim
É tão urgente
que me queiras mais
que a toda a gente

Só peço demais por

te achar tão-só contigo

[meu amor me cabia no bolso

Tinha de o trazer comigo]

17.2.08

Mood: Donna Maria, Fragmagens


(Calceteiros, Lisboa Antiga)


Tens tardado liberdade
nos verbos do meu país
Saudosismo de bolso
argumento que alguém quis
[ao que parece, vai bastando]


Tardas tanto cidade
aos atentos cansados
e os ébrios ideais
nunca vingam acordados


Lisboa adormece uma cantiga
embala minha terra
que a preserve adormecida
aos encantos de uma guerra


E se um dia o tejo acorda
na madrugada de cartão,
riqueza sem-abrigo,
amanhecer levantado do chão,


Então acorda e vem comigo
arrancamos pedra e passo
fazer do mundo uma calçada
de cada porta um abraço


Tens tardado liberdade em acordar minha cidade
Mas de tão zangada contigo
mais sinto em meu irmão meu amigo
o mudo arrepio de uma verdade


[Sabes bem, nada disto te basta]
[Sabes bem, nada disto te basta]