22.9.05

Mood: Donna Maria, Aqui tão perto de ti




" No meio da vastidão a poesia"

Donna Maria- Aqui tão perto de ti
música e letra: Múcio Sá

16.9.05

mood: Flunk, play

Tenho mel
entre o mundo e a boca,
cheiro quente
entre a pele e a roupa,
numa corrente de ar de mulher à solta,
uma espécie de calma agitada,
tantas vezes tudo, outras nada.
Mas pra lá do mel e do mundo
transpondo a pele, o papel, lá no fundo,
cresci numa palavra sem boca, sem dedos,
num verbo atrevido mordendo os medos.
Escrevi-me, e no gozo de lábio mordido,
no papel que não prendi à mão
li um conceito novo,
algures no coração
tão-só preso ao mundo lá fora.
Desconfio que não me pertenço...

9.9.05

Mood: Ben Harper live on mars, walk away






















Hoje, nos vazios de ti, percebi uma descrença.
Poesia...foi ler o meu corpo rimar com o teu;
e a métrica da tua voz pontuar o meu fôlego.
Poesia...é tu existires. Poético...é a pele responder-te.
Tudo o mais são palavras, fonética emparelhada.
Arte poética, a existir, é no rimar calado daquele olhar ...
escrevendo olhos virgens de amor, como sendo o primeiro poema;
e nas madrugadas vazias de Lisboa
rimando, perfeitas, com a saudade azul
de beber palavras e sonhos contigo, logo pela manhã.
Não acredito em poesia...porque já a vi. E sei-lhe a cor dos olhos.
São castanhos...com um pedacinho de verde-tímido.


Foto:
www.abiyoyo.com



6.9.05

Mood: Clã , bairro do Oriente



A minha cidade tem recantos assim...onde vibro e pactuo do tempo que passou.


Foto: www.abiyoyo.com

2.9.05

Mood: 98.1...após a meia-noite



Ecos e aromas a música suave e antiga. O tom agudo do piano trás do passado a sensação das mãos ainda pequenas sobre teclas brancas com curiosidade de cria. As notas fundem-se vagarosas no fumo também lento do incenso. A aparelhagem não encerra o romance tradicional dos velhos gira-discos mas a música que me atravessa, sim. Todas as noites tenho melodias da Marginal. Naquele posto, ancorei em mim...no piano, nos saxofones, no som jazzy ritmado do contrabaixo, na melancolia doce e arredia do blues, na intimidade suave do soul, no mel da bossa nova. Estou cativa à dormência de, por umas horas, ser melodia apenas. E por um qualquer tipo de respeito baixa-se a luz. Enfia-se o corpo em roupa confortável...porque a música quer-se entranhada na pele, e há-que deixá-la entrar com requintes de protagonista, aquela que arrepia os poros assim que entra em cena ...e deixá-la respirar ali. Como o vinho que agora apetecia aveludando a língua, e não há. Elevo as pernas e o cansaço sobre a cadeira; sabe bem deixar cair o peso aos ombros. À falta do descanso no teu abraço rendo-me à mobília disponível, e encerro dentro dos olhos. Resgate da calma, os sorrisos e a moleza de estar. Podia derreter sobre as folhas do papel, do tanto que sabe bem o conforto.
Mas nem isso. Pensar-te...quando te penso...consegue ser docemente mais grave. Ressoas a acordes, a palavras deliciosas. Aquelas, impossíveis de musicar. E no entanto, continuo a ouvir-te...e a calar o vazio que há para lá do corpo. De tempos a tempos precisa-se entre o lábios um "Shiu" baixinho que acalme. Acontece sempre que o pensamento vagueia calado: "Apeteces-me tanto ainda. Páras-me o sangue"