... A cidade morreu. O primeiro dia do ano não parece certamente um festejo de entrada, mas antes de desfecho. Ponto. E são coisas mesmo diferentes, até mutuamente exclusivas. Vê-se pelo abandono que se lhe dedica naquele que deveria ser o dia inaugural: a cidade parece moribunda de tão oca que está. Ou então são as pessoas, simplesmente cansadas do excesso, a inaugurar a privacidade e circunscrever o cansaço. Deveria haver uma pausa de um mês no calendário, para acertar contas e descansos, depois então entrar tranquilamente no novo ano. Do tipo: "Pronto, então agora sim vamos lá a isso." Diz-se que no calendário Maia há um dia designado 'o dia sem tempo'. Talvez no dia 1 de janeiro sejamos todos um pouquinho disso também.
O cansaço era grande por isso no regresso a casa, entre o tecto cinzento de Lisboa, o abandono e o alcatrão silencioso, só corria o motor do carro e um moodzinho.
1.1.08
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2 comentários:
Esse cenário não me é de todo nada , mas mesmo nada estranho ;)para além da BOA companhia , o poder infinito da música se mostra em todo o seu esplendor: até carros e dias cinzentos consegue ALEGRAR!
um grande kiss,
Lexi
Este cenário não me é de todo estranho ;) e até num dia cinzento num infinito "silêncio" do cansaço , o poder da música consegue "curar" qualquer alma.
A big Kiss for you :)
Lexi
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