[Mais um a crepitar da gaveta...]
Alguém dizia outro dia
da encruzilhada de existir
O dever de a agarrar peito adentro
Deixá-la serena fluir a seu tempo.
Mas os dias de guerra persistem.
Insistem que não me porto bem.
Há dias onde estou sempre aquém.
Não sei lidar com o aconchego
Não sei cantar o desassossego.
Não me negues tu também.
Deixemos o cerne da queixa
O agridoce que a boca fecha
já me sossega mal ou bem.
[Não falemos entre os dois.]
Gosta só de mim assim.
Tudo abrirá depois.
Alguém dizia outro dia
que devo portar-me bem.
Mas isso não seria correcto.
[Mas isso não seria correcto.]
Nem o que humanamente
me convém.
Sou o meu maior inimigo e
o maior curativo que me sustém.
Ao agarrar o aqui-e-agora
peito adentro, e o tal do tempo
que é meu sim mas foge num triz.
Dizem que é por medo que
devo portar-me bem.
[E que o prémio é ser feliz]
Mas isso não seria correcto.
[Mas isso não seria correcto.]
Nem faz de mim alguém.
Estar adequadamente mal
é construir-me marginal, de mim.
Ser gente é ser um objecto diferente.
[Ser gente é ser um objecto diferente.]
20.11.07
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1 comentários:
Gosto mesmo tanto de te ler...
Um beijo amiga marginal de MIM!
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